04/10/2025
A visita à 36ª Bienal Internacional de Arte de São Paulo foi, no mínimo, uma experiência frustrante e desconcertante.
O evento, sediado no Pavilhão Ciccillo Matarazzo, prometia grandes reflexões sobre a humanidade, mas o resultado foi uma sucessão de obras com pouca (ou nenhuma) conexão entre si, peças que beiravam o banal e o irrelevante, e uma atmosfera geral de desorganização e ausência de sentido.
Comunicação confusa e falta de Contexto logo na entrada, a primeira decepção: a ausência de informações mínimas sobre as obras e seus autores. A curadoria decidiu esconder detalhes, supostamente para estimular uma “experiência direta”, mas o que ficou foi um público perdido e desamparado, sem mapear quem fez o quê, caçando adesivos e legendas escondidas no chão. O mapa gráfico do evento era confuso e poucos conseguiram se orientar, gerando cansaço e irritação já nos primeiros minutos.Obras feias e desconexas.
Ao caminhar pelo imenso espaço, era difícil encontrar algo que chamasse genuinamente a atenção. Muitas obras pareciam feitas apenas para preencher espaço, com aparência inacabada ou propositalmente chocante, mas sem qualquer força simbólica. A sensação era de que a maioria dos trabalhos poderiam estar em qualquer exposição genérica: falta de beleza, ausência de significado e uma triste inutilidade no contexto artístico.
Experiência do visitante ignorada
O evento claramente falhou em pensar no conforto e no enriquecimento dos visitantes. Mediadores despreparados não sabiam explicar sobre os artistas, os textos explicativos estavam distantes e em excesso, e não havia qualquer vontade de dialogar com o público. O próprio catálogo era simplista demais e não tinha nem as nacionalidades dos artistas, gerando ainda mais desconforto entre quem tentou se informar.Reflexão Crítica o festival pode até defender que é “sobre a humanidade como prática”, mas não consegue traduzir esse conceito em obras que sejam minimamente envolventes ou esclarecedoras. O resultado é um evento que reforça barreiras entre público e arte, afastando quem procura criatividade, beleza e sentido. Para quem aprecia a arte como transformação e diálogo verdadeiro, o saldo da visita à Bienal deste ano é de pura decepção.
Em resumo, a 36ª Bienal Internacional de Arte de São Paulo foi um evento repleto de peças feias, sem sentido e inúteis, marcado por uma curadoria perdida em conceituações falhas e pela desigualdade entre intenção teórica e realização prática.
O conceito de “estado da arte”, ao meu ver, deveria representar justamente o ápice de excelência que o ser humano pode atingir em determinada área — uma obra prima, uma ideia inovadora, um produto da genialidade artística.
No entanto, o que encontrei na 36ª Bienal de São Paulo foi um “estado da arte” absolutamente deplorável, um contexto desolador e esdrúxulo marcado pela ausência de beleza, sentido e relevância.Frustração diante das "obras" expostasO cenário era desolador: peças feias e sem nexo dominavam o espaço, sugerindo uma desconexão total entre artista e público. Era impossível encontrar sinais de perfeição ou virtuosismo. Em vez disso, o visitante se deparava com obras inúteis, que pouco dialogavam com o que entendemos como progresso ou realização humanal.Patrocínio questionávelAinda mais revoltante foi constatar o número de empresas investindo como patrocinadoras do evento
. Entre os principais estão Itaú, Bloomberg, Petrobras, Instituto Cultural Vale, Vivo, Citi Brasil, Motiva, Iguatemi e Rolex, que juntos contribuíram milhões de reais através leis de incentivo fiscal e parcerias institucionais. A Fundação Bienal captou mais de R$ 21,9 milhões só no ano de 2024, sendo R$ 10,7 milhões do Itaú e R$ 1,8 milhão de outra instituição.Ao invés de destinar seus recursos para o governo — que talvez jogasse esse dinheiro fora de outra maneira — preferem investir “em cultura”, patrocinando o que, na minha experiência, foi pouco mais que outro descarte artístico.
Reflexão final
O resultado é um retrato do descaso pelo verdadeiro sentido de excelência na arte. A Bienal, que deveria ser palco para o melhor da criatividade humana, tornou-se vitrine de um “estado da arte” irreconhecível, sustentado por grandes empresas que preferem ver seus investimentos transformados em mais um monumento ao desperdício e à inutilidade