08/06/2026
Saímos de Ilha Comprida num sábado de manhã cedo, eu, minha esposa e meu filho. Destino: Eldorado, no Vale do Ribeira. A missão era visitar a Caverna do Diabo — e posso dizer que o nome não é exagero.
A chegada em Eldorado
A primeira coisa que me chamou atenção ao entrar na cidade foi o portal de pedra na beira da rodovia — uma estrutura enorme, com estalactites artificiais penduradas, simulando a entrada de uma caverna. Do lado, uma placa azul: "Início do trecho sob jurisdição do DER". Nada de glamour, mas cumpriu o papel: já deu o tom do que estava por vir.
A cidade de Eldorado em si é pequena e simples. A atração principal ali é mesmo o ecoturismo em torno das cavernas da Mata Atlântica — o Governo do Estado de São Paulo tem isso como identidade turística clara da cidade.
O parque e a recepção
O acesso ao Parque Estadual Caverna do Diabo é feito por uma estrada que entra pela mata. A portaria tem um portal de madeira simples, com um letreiro e símbolo do parque. No estacionamento, carros, motos — tinha até um grupo de motociclistas que parou para visitar. A estrutura é funcional, sem luxo, mas organizada.
Na área de recepção, encontramos um painel explicativo muito bem feito chamado "As profundezas da Caverna do Diabo". Ali estavam mapeados os principais salões: Salão Vermelho, Salão Violeta, Salão dos Macarrões, Salão Branco, Duas Velas e o Lago do Silêncio.
A extensão total da caverna é de impressionantes 8.780 metros — mas o trecho aberto ao público é de 600 metros, com nível de dificuldade classificado como fácil e tempo médio de percurso de 1h30.
O parque está inserido na Reserva da Biosfera da Mata Atlântica, reconhecida pela UNESCO, o que dá a dimensão da importância do lugar.
Dentro da caverna
Entramos em grupo com um guia. A entrada é feita descendo uma escadaria de pedra dentro da mata — de dentro da caverna, olhando para cima, a abertura parece um buraco no céu coberto de verde. Uma cena que não sai da cabeça.
O piso dentro da caverna é molhado, com passarelas de madeira e grades de ferro ao longo do caminho. O teto é alto e coberto de estalactites brancas. Em alguns trechos o corredor afunila, em outros abre para salões enormes. A iluminação artificial é bem posicionada — valoriza as formações sem estragar a atmosfera.
Em determinado ponto, o guia apagou todas as luzes. Escuridão absoluta. Meu filho não disse nada — e ele não é de ficar quieto.
As formações são o destaque. Vi uma parede inteira coberta de calcita em camadas, como cortinas empilhadas, com luzes laranja recortando cada dobra da pedra. Em outro salão, uma estalagmite avermelhada e enorme no centro, rodeada de colunas brancas chegando ao teto — parecia cenário de filme.
Fizemos os 600 metros do percurso em 1 hora e 30 minutos, exatamente o tempo estimado. O ritmo é tranquilo, conduzido pelo guia, com paradas para explicações em cada ponto de interesse. Para família com criança, funciona bem — meu filho aguentou sem reclamar, o que já é um bom sinal.
Vale a pena ir?
Sim, sem hesitar. A Caverna do Diabo é um dos patrimônios naturais mais impressionantes do estado de São Paulo, e a visita é acessível para qualquer pessoa em boa condição física básica.
De Ilha Comprida, a distância é razoável, mas compensa. É o tipo de passeio que você faz uma vez e fica querendo voltar para explorar mais — sabendo que os outros 8 quilômetros de caverna continuam lá, no escuro, esperando.